Ratazana Walton
O despertador tocou naquela manhã/madrugada de quarta e eu pensei: “eu só queria não ter que trabalhar HOJE. Só hoje.”
Levantei e fiz todo o ritual do mal: arrumar bolsa (quase mala), café (quer dizer... leite), roupas, casaco 1, casaco 2, chave do carro, guarda-chuva (para proteger a escova durante o trajeto carro-portão e vice versa).
Desci as escadas com a alegria de um escravo arrastando correntes. Entrei no carro e rumei para o reino encantado de Itaboraí.
Delúbio (o carro) parecia estar mais preguiçoso do que eu, mas quem sou eu pra cobrar disposição de alguém? Segui meu caminho e, faltando menos de 1 km pra chegar ao colégio, começa um barulho quase ensurdecedor. E advinha? Não tinha nenhuma obra por perto e o barulho, misteriosamente, parecia me acompanhar.
Estando sozinha, a primeira coisa q me veio a cabeça foi sentar no meio fio e chorar. Depois liguei pra Rama pedindo orientação. Depois pro seguro.
Apesar da poluição sonora, o carango estava andando, por isso optei por voltar pra casa e esperar o mecânico do seguro lá, tomando mais um copinho de leite quente.
Como o barulho estava me causando medo E constrangimento, pensei que não havia mal algum em pegar um atalho.
Eu até esperava constatar que o asfalto era, na verdade, à base de açúcar (e, portanto, dissolveu-se com a severa precipitação atmosférica). Mas daí a CAIR UMA PONTE, tem uma certa distância. E nenhum corno na rua pra me dar uma informação de como passar pro outro lado sem apelar para a tática E.T. (até pq eu não tinha nenhum no porta-malas).
Superada mais esta adversidade, rumei para minha habitação onde aguardei ansiosamente o venerável mecânico do seguro (que, inclusive, não demorou nada).
O venerável veio. Olhou o carro. Perguntou onde era o barulho. “Embaixo do carro... ou atrás... sei lá” – respondi leigamente.
Ele não pediu pra ligar o carro, não abriu o capô, não botou nem a mãozinha nele pra ver se estava quente. Não pediu sequer pra eu imitar o barulho (e eu já tinha até ensaiado). Apenas diagnosticou: “não tem como saber. Tem que levar num lugar pra levantar o carro” (puta que pariu... isso que é dinheiro bem empregado... milhares de dólares de seguro pra me mandarem um corno dizer que não tinha nada pra fazer).
Levei o baby para o “trinta e cinco” (um mecânico muito camarada que só sabe cobrar 35 reais. Você pode chegar lá e pedir pra ele desmontar todo o carro e montar novamente... tipo... só pra brincar de lego... que o máximo que ele te cobra é 35 reais).
Bastou que eu apontasse na esquina pra que ele gritasse: “Tá rateando!!!” (como se eu soubesse o que isso quer dizer). E completou: “É vela”. Gritei de volta: "velha é sua avó!", mas o barulho do carro abafou o mico.
“35” abriu o capô, tirou a famigerada vela e constatou que um pequeníssimo fragmento de rocha se alojou exatamente onde sairia a centelha que provoca a ignição do combustível (fonte: Google).
Deu um peteleco, colocou de volta no lugar, jogou um pouco de pó de pirlimpimpim e... PUFT! Delúbio voltou de sua experiência de quase-morte.
A boa notícia é que não custou nem 35 reais. Foi de graça.
E a má é que meu contra-cheque trará um desconto por esta falta, uma vez que, nem 35, nem o venerável mecânico do seguro me deram qualquer documento que comprovasse minha odisséia ratesca.
Vejamos que maravilhosas lições sobre a vida nós aprendemos hoje:
1) Cuidado com o que você deseja... Seja específico! Diga: "eu só queria que caísse um meteoro no colégio, de forma que as aulas fossem interrompidas, mas que absolutamente nenhuma outra alteração fosse provocada na frágil teia do espaço-tempo".
2) Barulho embaixo/atrás do carro não é problema embaixo/atrás do carro.
3) Mais vale “35” na mão do que milhares de dólares voando para o seguro.
4) Atalho, só de teclado.
E assim terminou mais um dia feliz na montanha dos Walton...
Levantei e fiz todo o ritual do mal: arrumar bolsa (quase mala), café (quer dizer... leite), roupas, casaco 1, casaco 2, chave do carro, guarda-chuva (para proteger a escova durante o trajeto carro-portão e vice versa).
Desci as escadas com a alegria de um escravo arrastando correntes. Entrei no carro e rumei para o reino encantado de Itaboraí.
Delúbio (o carro) parecia estar mais preguiçoso do que eu, mas quem sou eu pra cobrar disposição de alguém? Segui meu caminho e, faltando menos de 1 km pra chegar ao colégio, começa um barulho quase ensurdecedor. E advinha? Não tinha nenhuma obra por perto e o barulho, misteriosamente, parecia me acompanhar.
Estando sozinha, a primeira coisa q me veio a cabeça foi sentar no meio fio e chorar. Depois liguei pra Rama pedindo orientação. Depois pro seguro.
Apesar da poluição sonora, o carango estava andando, por isso optei por voltar pra casa e esperar o mecânico do seguro lá, tomando mais um copinho de leite quente.
Como o barulho estava me causando medo E constrangimento, pensei que não havia mal algum em pegar um atalho.
Eu até esperava constatar que o asfalto era, na verdade, à base de açúcar (e, portanto, dissolveu-se com a severa precipitação atmosférica). Mas daí a CAIR UMA PONTE, tem uma certa distância. E nenhum corno na rua pra me dar uma informação de como passar pro outro lado sem apelar para a tática E.T. (até pq eu não tinha nenhum no porta-malas).
Superada mais esta adversidade, rumei para minha habitação onde aguardei ansiosamente o venerável mecânico do seguro (que, inclusive, não demorou nada).
O venerável veio. Olhou o carro. Perguntou onde era o barulho. “Embaixo do carro... ou atrás... sei lá” – respondi leigamente.
Ele não pediu pra ligar o carro, não abriu o capô, não botou nem a mãozinha nele pra ver se estava quente. Não pediu sequer pra eu imitar o barulho (e eu já tinha até ensaiado). Apenas diagnosticou: “não tem como saber. Tem que levar num lugar pra levantar o carro” (puta que pariu... isso que é dinheiro bem empregado... milhares de dólares de seguro pra me mandarem um corno dizer que não tinha nada pra fazer).
Levei o baby para o “trinta e cinco” (um mecânico muito camarada que só sabe cobrar 35 reais. Você pode chegar lá e pedir pra ele desmontar todo o carro e montar novamente... tipo... só pra brincar de lego... que o máximo que ele te cobra é 35 reais).
Bastou que eu apontasse na esquina pra que ele gritasse: “Tá rateando!!!” (como se eu soubesse o que isso quer dizer). E completou: “É vela”. Gritei de volta: "velha é sua avó!", mas o barulho do carro abafou o mico.
“35” abriu o capô, tirou a famigerada vela e constatou que um pequeníssimo fragmento de rocha se alojou exatamente onde sairia a centelha que provoca a ignição do combustível (fonte: Google).
Deu um peteleco, colocou de volta no lugar, jogou um pouco de pó de pirlimpimpim e... PUFT! Delúbio voltou de sua experiência de quase-morte.
A boa notícia é que não custou nem 35 reais. Foi de graça.
E a má é que meu contra-cheque trará um desconto por esta falta, uma vez que, nem 35, nem o venerável mecânico do seguro me deram qualquer documento que comprovasse minha odisséia ratesca.
Vejamos que maravilhosas lições sobre a vida nós aprendemos hoje:
1) Cuidado com o que você deseja... Seja específico! Diga: "eu só queria que caísse um meteoro no colégio, de forma que as aulas fossem interrompidas, mas que absolutamente nenhuma outra alteração fosse provocada na frágil teia do espaço-tempo".
2) Barulho embaixo/atrás do carro não é problema embaixo/atrás do carro.
3) Mais vale “35” na mão do que milhares de dólares voando para o seguro.
4) Atalho, só de teclado.
E assim terminou mais um dia feliz na montanha dos Walton...
Boa noite, Mary Ellen.
Boa noite, John Boy.
Boa noite, mamãe! Durma com Deus!
Boa noite, John Boy.
Boa noite, papai! Eu amo você!
Boa noite, John Boy.
Boa noite, Mary Ellen! Sonhe com os anj..
BOA NOITE, JOHN BOY!!!!!!!!!!
Boa noite, família!
BOA NOITE, JOHN BOY!!!!!!!!!!
Boa noite, Ratazana!
(sonoplastia: tiros)
Morreu, o John Boy, coitado...